terça-feira, 12 de abril de 2011

Cinqüenta anos



Hoje, dia doze de abril de dois mil e onze, faz cinqüenta anos que Vostok I decolou do cosmódromo cazaque de Baikonur da antiga união soviética.

“Quando Yuri, pelo esforço de milhões de nós, sobe ao espaço e vê todos nós de uma vez só, finalmente nós entendemos a beleza através da visão da perfeição da esfera azul em que estamos, estamos onde deveríamos estar, no meio das estrelas, tão amados, tão sortudos, fazemos parte da obra prima da criação.”

        Citar a mim mesmo pode parecer um golpe de egocentrismo, mas o foco é o vislumbre do ato citado, a existência humana no auge, a percepção de que nós não somos simplesmente expectadores da criação mas sim parte da mesma, o conhecimento de que nós também estamos em alguma parte dos céus. Em nenhum outro momento foi possível compreender tanto sobre o ser humano, através do ser humano, sobre a humanidade.
O homem é uma abertura de infinitas possibilidades, mas infelizmente foi a custo de guerras que nós desenvolvemos o conhecimento para perceber muito desse aspecto. Mesmo a infelicidade das guerras do passado torna parte de uma beleza e perfeição caótica da nossa história, dos nossos atos, até na face do horror podemos, ao entrelaçar o contexto factual, ver a perfeição do desenrolar de tudo que existe no passado, saber que são poucas as pessoas que compreendem que nossas escolhas determinam nosso sentido para a fome, ignorância e miséria, mas também para a fartura, compreensão e felicidade.
Nós, os poucos que subiram nos pêlos do coelho e olham atentamente para as estrelas, nós, os poucos que compreendem o sentido não aparente dessa frase quase sem nexo, nós que sonhamos, simplesmente, sonhamos, independente de estarmos dormindo ou não, nós, que teimamos em não sermos a maioria, nós, somos mais felizes, graças a você Yuri, e a tudo que você representa no dia de hoje, felizes pela possibilidade de poder subir sempre um pouco mais, até quem sabe, as estrelas.

Dedicado à Yuri Gagarim, o primeiro homem a ir ao espaço.

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